Confissões sobre o System of a Down por Serj Tankian

System of a Down

Nota divulgada por Serj Tankian na noite de ontem (12), em sua página oficial no Facebook. Leia:


Confissões sobre o SOAD por Serj Tankian.

Somos uns filhos da mãe extremamente sortudos por nossos fãs ainda desejarem um disco nosso após todos esses anos, às vezes até exigindo isso. Claro que por conta disso inúmeros rumores sobre a banda e nossa falta de capacidade de fazer um disco juntos, alimentados por uma série de comentários que fulano de tal disse durante alguma entrevista, antiga ou recente, publicada muitas vezes por mídias sensacionalistas que não estão, por assim dizer, mudando o mundo para melhor.

Então vou tentar esclarecer as coisas de uma vez por todas, esperançosamente, sem colocar a culpa em ninguém neste processo.

É verdade que eu, somente eu, fui responsável pelo hiato que o SOAD iniciou em 2006. Todos queriam continuar no mesmo ritmo, fazendo turnês e gravando discos. Eu não quis. Por que? Por vários motivos:

1. Artístico: Sempre senti que continuar fazendo a mesma coisa com as mesmas pessoas ao longo dos anos é artisticamente redundante, até mesmo para uma banda dinâmica como a nossa. Naquela época, eu sentia que precisava de um pouco de tempo para fazer meu próprio trabalho. Não descartava recomeçar todo o processo com a banda mais tarde.

2. Igualitarismo: Quando começamos, todos os processos criativos e as receitas financeiras eram divididas quase que por iguais dentro da banda. Na época do ‘Mezmerize’ e ‘Hypnotize’, estávamos em lados opostos em ambos, com Daron controlando o processo criativo e o retorno financeiro, sem contar que ele queria ser o único a aparecer na mídia.

3. Eu queria ter deixado a banda antes do ‘Mezmerize’ e ‘Hypnotize’ por causa desses motivos. É por isso que, particularmente, não me sinto tão próximo das músicas destes discos. Existiam canções que eu queria trazer à tona, mas fui prejudicado por promessas não cumpridas, associadas à minha própria passividade naquela época.

O tempo passou, fomos todos fazer nosssos próprios projetos. Minha carreira solo me deu confiança como letrista e mais tarde como compositor para revisitar o SOAD em uma posição forte, inicialmente apenas para fazer uma turnê e desfrutar a companhia um do outro, algo que fizemos e ainda fazemos.

Eu tinha a consciência de que eles queriam fazer um disco, mas por circunstância de tudo que aconteceu no passado eu estava indeciso. Às vezes um membro ou outro se deixava levar pela explosão de emoções, me culpando pela inatividade da banda.

Depois de um longo tempo pensando e processando, há cerca de dois anos, eu cheguei para os caras com uma proposta de um caminho a seguir com a banda.

Eu estava a fim de corrigir os erros do passado e estabelecer uma maneira de sermos todos felizes, então recomendei o seguinte:

1. Espaço criativo por igual: Naquela época eu tinha lançado cinco discos em carreira solo e era musicalmente um compositor melhor e Daron estava melhorando como letrista, então eu sugeri para que trouxéssemos seis músicas que todos os membros da banda aprovassem completamente e a gente pudesse trabalhar nelas junto com as melodias ou riffs do Shavo.

2. Divisão por igual de direitos autorais: Pessoalmente sinto que uma banda é uma parceria igualitária e as finanças devem refletir isso.

3. Direitos sobre a obra: Quem escreveu a música toma a decisão final após esgotar todas as ideias de qualquer membro dentro da banda. Eu queria isso pois lá no passado eu trazia músicas que acabavam sendo transformadas em versões indesejáveis que eu mesmo nem levaria em consideração.

4. Desenvolver um novo conceito ou tema para que não fosse apenas um álbum, mas sim uma experiência completa.

(Obviamente estou omitindo muitos outros detalhes aqui, como concordar com o “som” de um novo álbum que não poderíamos fazer enquanto estávamos alternando entre músicas de Daron e minhas. Lembro de mandar muitas observações sobre as músicas do Daron, principalmente de seu novo disco do Scars on Broadway, a maioria das quais eu não consideraria aplicáveis para o SOAD, e eles tocavam algumas de minhas músicas – basta dizer que eu acho que tentamos).

Em uma última observação, tive que estabelecer limites pois sabia que nunca poderia ser feliz se as coisas voltassem a ser exatamente como eram na banda.

E como não pudemos chegar a um acordo olho no olho em todos esses pontos, decidimos deixar de lado a ideia de um álbum por enquanto.

Meu único arrependimento é que, coletivamente, não fomos capazes de oferecer para vocês outro álbum do SOAD. Por isso eu peço desculpas.

Obrigado pela leitura.
Paz
Serj.


Em tempo: também na noite de ontem, John Dolmayan publicou um texto em sua conta oficial no Instagram sobre o tema. Confira nesta postagem a íntegra traduzida.

Comentários (5)

  • Leandro Igor

    Lamentável …

  • douglas

    Todo mundo criticava o Serj e não sabiam dos motivos dele, agora sabemos e me pareceu bem plausível. Com muito pesar de dizer o que estou prestes a dizer, mas sabendo que é a realidade, eu acredito que é melhor assim. Se o SOAD produzisse um novo album com a atual voz do serj, acho que ficaria uma merda, sinceramente, portanto é melhor não estragar essa linda história em que outrora Serj, na minha opinião, tinha a melhor voz do rock.

    • Willian parra

      Parabéns……concordo plenamente com tudo que escreveu….

  • Miguel Junior

    É bem provável que algumas brigas internas vinham ocorrendo de um tempo pra cá, Daron vem dando a cada entrevista, declarações de que ele é “o cara” do System (o que eu concordo), creio que ele está de saco cheio com o Serj empacando a carreira particular de cada um dentro da banda. Sobre o John e Shavo, eles sempre foram pacifistas, e os que mais aparentam sentir vontade de tocar juntos no SOAD novamente, eles sempre apaziguaram as tretas entre Serj e Daron. Agora, sem hipocrisia: Toda banda tem um membro mais forte, isso é natural em bandas. Acho que o Serj pira nesse negocio de igualitarismo de tal maneira que ignora que o SOAD é realmente a pegada do Daron, Shavo e John… todos tem uma sonoridade definida, o único que quer viver de algo diferente do que o SOAD se propôs, é o Serj.

  • Cleison Silva

    Que coisa, não!? Sempre tive em mente que o Serj queria fazer coisas diferentes do que fez no SOAD, é um direito dele. Só não concordo muito com essa de continuar fazendo shows com as músicas antigas com uma presença de palco tão apagada. Estão apagados, distantes no palco. Melhor parar de uma vez ou pelo menos quando se unirem pra fazer alguma turnê façam com vontade.