Daron Malakian classifica indecisão do System of a Down como ‘frustrante e deprimente’

Por Gary Graff | Billboard.

Reconhecer que o System of a Down ‘não irá fazer um álbum tão breve’ foi o que libertou Daron Malakian em reativar o Scars on Broadway para lançar seu segundo álbum, Dictator, em 20 de julho.

‘Dictator’ é novamente um material de uma pessoa só, com Malakian desempenhando todos os instrumentos e vocais. Daron disse à Billboard que o repertório de 12 faixas foi realmente gravado há seis anos, mas ele estava esperando a decisão do SOAD em fazer algo, o que o levou a segurar o álbum para que não interferisse na banda. “Estava sendo difícil não lançar músicas – e não era porque eu não queria lançar”, explica Malakian. “Eu estava fazendo do System minha prioridade e esperando que algo acontecesse lá, e como nada ocorreu, apenas tive mais espaço para começar a lançar os materiais e marcar shows com o Scars, montando uma nova banda. Não ter conhecimento [da situação do System] e estar no limbo, esses foram os principais motivos pelos quais eu esperei para divulgar essas músicas. E, finalmente, estou lançando. Agora está tudo ótimo.”

Malakian reconhece que o período entre os lançamentos, 10 anos desde a estreia do Scars on Broadway e 13 desde os últimos álbuns do SOAD, Hypnotize e Mezmerize, tem sido ‘muito frustrante e um pouco deprimente’. “Os fãs dizem: ‘queremos algo novo do System!’ e eu penso: ‘Bem, imagine como me sinto em ter essas músicas’. A banda não consegue se entender, não é a hora certa para todo mundo, e sim, isso é um pouco frustrante, mas ao mesmo tempo eu não posso forçar ninguém a fazer algo que eles não querem fazer. Eu sou grato por ter o Scars como um escape.” Ele também está bem ciente de que os familiares arranjos frenéticos e assimétricos do ‘Dictator’ provavelmente alimentarão o apetite dos fãs de SOAD.

“Eu escrevo 90% ou mais das músicas – a música, as canções, as letras, os vocais – para o System of a Down. Isso é o que eu faço, então se soar como o System of a Down provavelmente não será surpreendente.”

‘Dictator’, cuja capa é uma imagem criada pelo pai de Malakian, o artista Vartan Malakian, inclui muitos de seus pensamentos sócio-políticos. O primeiro single, ‘Lives’, faz referência às conquistas da cultura armênia na esteira do devastador genocídio no início do século 20 (as rendas obtidas estão sendo doadas para a Armenia Fund). Mas Malakian espera que outras músicas se tornem abertas à interpretações. “Às vezes é sobre algo que está acontecendo no mundo, às vezes é algo que acontece em nossas vidas pessoais”, explica. “Eu posso observar como o álbum se encaixa com o que está acontecendo com o Trump, mas obviamente não era sobre as coisas do Trump quando eu o escrevi. Havia sempre alguém que era um ditador, e um ditador pode ser alguém em sua vida pessoal também – alguém que é arrogante ou que sempre lhe diz o que fazer. Então você pode adaptar as músicas à sua própria vida, ou ao político”.

Malakian tem um show agendado com o Scars On Broadway para o dia 4 de agosto no Fonda Theatre, em Los Angeles, e espera fazer uma turnê completa com a banda. O SOAD, por sua vez, fará seus primeiros shows nos Estados Unidos desde 2015, uma turnê de cinco datas na Costa Oeste, durante o mês de outubro. “Agora está tudo legal para mim porque o álbum do Scars está chegando e o System estará tocando ao vivo. Eu realmente gosto de fazer isso.”, diz Malakian. “Não há atrito com nenhum dos membros da banda nem nada. Nós ainda gostamos de ficar juntos e de tocar ao vivo. Eu tenho os materiais do Scars e estou muito animado com esse álbum. Então, como artista e como músico, eu sinto que estou em um lugar realmente bom e eu sinto que depois de muito tempo é a primeira vez que posso dizer isso, porque eu estive parado por quase 10 anos. É realmente bom ter algum tipo de clareza e liberdade como artista e saber onde as coisas estão e onde posso levar minhas músicas. Eu sinto que estou em um bom lugar com o System e com o Scars.”

Comentários (5)

  • Marlon Cerqueira

    Caramba, é complicado mesmo… Eu imagino que quem já tenha tocado ou tenha banda, sabe que para manter contato por décadas é algo praticamente impossível dependendo do relacionamento dos integrantes, com o tempo a relação vai se desgastando. Fico pensando se eu que toco desde 2003 até hoje não consegui consolidar uma banda mais do que 3 anos, imagine uma baita banda como o SOAD.

  • Cleison Silva

    E system, continua tocando ao vivo as músicas antigas, mas pelo amor de Jáh tenham mais animação (principalmente Serj), porque parece estar lá apenas pelo dinheiro dos cachê.
    Scars, volte com tudo!!! <3

    • Miguel Junior

      Já encheu o saco esse negocio. Eles apresentam uma música velha que nunca tocaram ao vivo e já acha que tá tudo OK ^^

  • Washington Rayk

    Você pode trocar Serj Tankian por Mike Patton, por exemplo. #MikePatton4SOAD

  • Miguel Junior

    como eu já havia dito: na minha opinião o System só é system com todos os integrantes, mas como nem todos (Serj) querem trabalhar pela banda, acho que o mais sensato até com os fãs seria declarar o fim da banda. Assim é bem provável que iriamos ver mais projetos tanto do Shavo quanto do John.