System of a Down não tem planos para o futuro, afirma Daron Malakian

A nova edição da revista Kerrang!, número 1721, lançada hoje (09), traz uma matéria exclusiva com Daron Malakian. Na publicação, o guitarrista fala sobre o novo single do Scars On Broadway, os planos para o terceiro disco de seu projeto paralelo e sobre o futuro do System of a Down. Confira!


Depois de uma ausência bastante longa, o seu projeto, Scars On Broadway, finalmente ressurgiu. Como e por quê?

Há muito tempo eu não lançava músicas. Eu gravei esse álbum alguns anos atrás e não o divulguei porque o System começou a fazer turnês na mesma época e sempre conversávamos depois de cada uma delas sobre como talvez nós faríamos um álbum, porém, nós nunca entramos na mesma sintonia com isso, mas desde então já passou tempo o suficiente para que eu pensasse: ‘Eu vou lançar esse álbum e não vou esperar pelo System’. Eu precisava fazer minhas próprias coisas. Já faz muito tempo desde que eu lancei algo e é muito bom finalmente voltar a fazer isso. Eu acho que você poderia dizer que é uma questão relacionada ao System o motivo pelo qual eu não tenho feito nada por muito tempo. Eu sou o principal compositor na banda, então se existe conversa sobre um álbum, isso colocaria uma grande pressão nas minhas costas.

Você é um compositor muito prolífico?

Eu escrevo muito. Realmente não escrevo para as pessoas, e se ninguém ouvir o que eu coloco no papel, ainda assim irei continuar compondo músicas. É só isso que faço. Se eu não estou escrevendo, sinto que eu não estou cumprindo meus objetivos aqui… Então, tenho muitas músicas que ainda estão para serem lançadas no futuro, seja com o System ou com o Scars. Eu tenho muito material.

Em um mundo ideal, você estaria lançando álbuns com System Of A Down e com o Scars On Broadway?

Sim. Eu acho que os materiais do Scars se direcionam mais para o rock, embora eu diga que muitas músicas no novo álbum possuem mais sabor de System Of A Down do que talvez no primeiro álbum [do Scars]. Atualmente o System não está fazendo álbuns, então este é o projeto no qual eu estou lançando minhas músicas.

É frustrante que as complicações com o SOAD afetem o calendário de lançamento de suas próprias músicas?

É sim. Mas é aquilo, eu não posso forçar ninguém a embarcar em algo que eles não queiram entrar. Tem sido frustrante não lançar músicas, estar no limbo e não ter noção sobre a direção das coisas. Agora, estou tentando consertar esse caminho por conta própria e resolver os problemas com minhas próprias mãos.

Você tocou todos os instrumentos no álbum Dictator. Isso é bastante proficiente…

Foi a maneira mais fácil de fazê-lo. Na época que eu gravei isso, eu realmente queria entrar no estúdio. Lembro que havia algum tipo de turbulência na minha vida pessoal, então fui para o estúdio como terapia para que eu pudesse sintonizar o mundo por uma ou duas semanas. Eu tinha essas 12 músicas que eu realmente queria gravar, e era mais fácil para mim entrar e fazer isso em vez de reunir um grupo de músicos e ensinar-lhes todas as músicas. E foi divertido também, eu sempre quis tocar bateria em um álbum.

A única música que ouvimos do Dictator até agora é o seu single principal, Lives. Você pode nos contar sobre o som de todo o álbum?

Eu acho que tem um tom mais agressivo do que o primeiro álbum do Scars. Acho que esse álbum tem um pouco mais de punk rock, é mais pesado. Mas, no geral, ainda tem o meu estilo. Em alguns momentos tem muito da pegada do System, mas essa é a minha assinatura, eu não consigo me afastar disso, mesmo que eu tente, se você é fã do que eu faço, seja com o System ou com o Scars, acho que você realmente vai gostar deste álbum.

As pessoas previram grandes coisas para o primeiro álbum do Scars On Broadway, mas hoje ele continua sendo uma joia ainda não descoberta. Por que você acha isso?

Porque eu parei. Eu não continuei com o Scars: eu não fiz turnês, eu não lancei músicas. Por mais orgulho que eu tenha daquele álbum, acho que foi feito na hora errada. Eu ainda estava meio em estado de choque que o System havia parado, tudo estava recente para mim, eu estava em um momento diferente na minha vida naquela época, mas agora parece diferente, tudo está certo. Tenho uma visão mais clara do que está acontecendo no System, o que me dá mais confiança no que estou fazendo com o Scars, mas eu concordo, acho que se eu tivesse prosseguido com o projeto, lançando álbuns e fazendo turnês, acho que Scars teria sido uma banda maior do que é agora. Nunca é tarde demais!

Haverá uma grande campanha de divulgação ao Dictator?

Não agendamos nenhuma turnê ainda, mas não está fora dos planos. Eu tenho um terceiro álbum do Scars, na verdade eu vou entrar no estúdio e gravar nos próximos meses, então isso vai acontecer no meio do ano que vem. Mas, se tratando de turnês, não tenho 100% de certeza do que iremos fazer ainda.

Se você fosse um apostador, em que você apostaria primeiro: no terceiro álbum do Scars On Broadway ou no sexto disco do System Of A Down?

No terceiro álbum do Scars On Broadway, com certeza. Do jeito que as coisas estão agora, o System não tem planos de entrar no estúdio, nem de escrever alguma coisa juntos… Nós não temos planos de fazer nada disso agora. Scars é praticamente o único projeto em que estou trabalhando no momento.

Você tem uma turnê com o SOAD chegando no outono. Será que chegou a hora da banda discutir um momento para quebrar o período de 13 anos sem músicas novas?

Não desta vez. Já tivemos essas conversas. A porta não está fechada, mas ao mesmo tempo já tivemos essas conversas e não entramos na mesma sintonia sobre fazermos isso juntos.

O novo LP do Scars On Broadway, ‘Dictator’, será lançado no dia 20 de julho pela Scarred For Life.

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Comentários (4)

  • Cleison Silva

    Vida longa ao Scars. Se o System não lançar mais nada eu já fico imensamente feliz que o Daron continue evoluindo. Eu adoro a pegada do Scars.

  • Vitor Almeida

    “Mas é aquilo, eu não posso forçar ninguém a embarcar em algo que eles não queiram entrar”. Todo mundo já sabe quem ta empatando o novo álbum. Sinceramente, eu queria ouvir a voz do Serj junto com o Daron, mas também queria ver o John e o Shavo participando, então que acabe o SOAD e Daron forme um trio com os outros caras.

  • Miguel Junior

    O Serj tem outra pegada, ele não está nesta vibe. Vejam: o Daron está o mesmo, o John e Shavo idem, quem está completamente outro desde o fim do system (até um pouco antes) é o Serj, não é mais o que o cara quer fazer.
    O foda foi ver o Scars on Broadway empacado como ficou, a banda tinha um excelente potencial, principalmente quando tinha o Franky Perez na guitarra. Agora é começar de novo, pra mim o System já deu o que tinha que dar, foi belo, mas caso lançarem um futuro álbum, não passará disso, a banda não vai voltar!

  • Washington Rayk

    #MikePattonNoSOAD