Serj Tankian gostaria que o System of a Down lançasse algo “grandioso” no futuro

Dias depois de Shavo Odadjian ter declarado em entrevista que um novo disco do System of a Down sairia em apenas uma “questão de tempo”, desta vez, Serj Tankian também comentou sobre o tema. Em conversa com o jornalista Kory Grow, da Rolling Stone, Tankian falou sobre os atuais trabalhos e sobre as ideias de lançar algo “grandioso” com o SOAD no futuro, mesclando a arte e música. Confira:


No que você está trabalhando atualmente?

Temos algumas outras trilhas sonoras que vamos lançar para filmes que fizemos há algum tempo, mas que nunca lançamos oficialmente como trilhas sonoras, como The Last Inhabitant e Midnight Star, que é um jogo de videogame. Mas estou trabalhando em várias coisas no momento, incluindo a Kavat Coffee, e estou produzindo dois documentários.

Um é um filme, ‘I Am Not Alone’, sobre a revolução armênia. Eu me encontrei com o primeiro ministro recentemente e disse: “Temos que fazer um filme sobre isso. Ninguém vai acreditar que, em 40 dias, um regime pós-oligárquico, monopolista e corrupto foi substituído por uma sociedade moderna, progressista, democrática e verdadeira, sem que uma pessoa morresse.” Ninguém vai acreditar nisso. Eu vou compor para isso também.

Eu também tenho um documentário musical que estou pretendendo intitular de ‘Truth to Power’, em meu ponto de vista, será uma mensagem que se torna realidade através das artes. Em vez de se concentrar em mim como artista, ele questiona: ‘como que a mensagem se concretiza?’ ‘A música pode mudar o mundo?’, estamos tratando dos negócios e procurando parceiros de co-produção. Esperamos que isso seja feito no próximo ano também.

Você também estará em turnê com o System of a Down no próximo ano. Neste ano, você e Daron Malakian tiveram idas e vindas na imprensa sobre o porquê da banda não ter feito um novo álbum. O que aconteceu depois disso?

Nos reunimos para ensaiar, nos cumprimentamos, conversamos e levamos as coisas adiante como sempre fizemos. Nós somos amigos e estamos juntos por 25, 30 anos. Isso é muito tempo. A diferença entre os negócios e as bandas é que as pessoas sabem quando estão trabalhando em um negócio, mas quando estão em uma banda, é confuso, porque existe também um laço forte de amizade. Há momentos em que você tem que dizer: “OK, as metas finais nos negócios não estão batendo, mas eu te amo”. Com banda, você raramente vê isso acontecendo.

A razão pela qual eu publiquei uma nota, foi porque eu não queria nenhuma ameaça negativa contra qualquer um de nós, em termos de “Foda-se. Você é o motivo pela qual nenhum álbum do System esteja sendo feito”. Particularmente, eu quis apenas dizer: “Veja. Eu tentei. Nós tentamos. Nós apenas não conseguimos certa proximidade olho no olho. Não é porque somos preguiçosos. Nós ainda somos amigos. Nós ainda fazemos turnês”. Esta é a verdade.

O vai e vem abriu mais conversas sobre o futuro da banda?

Não, na verdade não mesmo. Acho que liberou muita tensão e negatividade. Tudo se tornou mais público e aberto, e foi isso. Não houve mais discussões.

Uma coisa que eu estava curioso de forma específica é que você disse que queria fazer uma “experiência completa” ou um registro conceitual. O que você quis dizer com isso?

Eu apenas sinto que a música sofreu uma comoditização. Se eu fosse fazer um show orquestral, também gostaria de fazer um show de arte. Por isso, estaria explorando vários campos, fazendo eventos experienciais. Música é música: você iria finalmente lançá-la e as pessoas iriam ouvi-la, mas acho que seria ótimo se nós criássemos algum tipo de evento ou conjunto de eventos que se originassem tematicamente em torno da música, e que pudéssemos encapsular um novo disco ou algum som que estivéssemos divulgando. Em outras palavras, não apenas lançaríamos um álbum, mas faríamos algo grandioso em torno dele.

Outra coisa, o Daron disse que você nunca foi realmente um cara do “heavy metal” ou do “rock”. O que isso significa para você?

Eu acho que ele quis dizer que os elementos mais pesados da banda vieram dele e do Shavo, o que é verdade. Na adolescência, eu ouvia música pesada, mas meu passado girou em torno de todo tipo de música no mundo. Eu cresci ouvindo muita música armênia, árabe e europeia. Todos os tipos de música. Nos anos 70, eu ouvia disco e funk.

Meu irmão me apresentou um monte de heavy metal. A primeira vez que ouvi Slayer, meu irmão colocou para tocar em casa e eu me tornei fã. Eu era um ouvinte compulsivo de música. Eu ouvia death metal por três meses, então nos próximos três meses eu ouvia hip-hop. Depois, punk por três meses. Eu não tive as mesmas raízes do rock pesado como Shavo e Daron.

Aliás, você tem trabalhado em alguma nova música de rock?

Eu tenho. Recentemente, terminei de mixar muitas das músicas que esperava poder fazer com o System. Eu quero que eles façam parte do meu filme musical, então estou esperando por isso. Eu terminei cinco músicas de rock. Eu acabei de fazer um remix de rock ontem, na verdade, de uma das músicas revolucionárias para o filme armênio. É uma música de rock em armênio, e eu fiz uma mistura mais pesada.

Mas obviamente eu escrevo em música orquestral, jazz e rock. Uma razão pela qual eu gosto de compor para filmes é porque todo diretor quer algo diferente, em termos de gênero, em termos de emoção. É divertido. A cada vez, consigo fazer um disco com sonoridades diferentes.

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