‘System of a Down não é a banda que eu gostaria de estar’, diz Daron Malakian

Daron Malakian concedeu uma entrevista ao jornalista Mikael Wood, do portal LA Times, abordando temas sobre o Scars on Broadway, o disco ‘Dictator’ e também sobre o System of a Down. Leia a matéria na íntegra:


Bastou apenas um único show para que Daron Malakian entendesse que rockstar seria seu trabalho.

Mais conhecido hoje em dia como o guitarrista do System of a Down, banda de Los Angeles que tocou para uma multidão de 45.000 pessoas há alguns meses no Anfiteatro Glen Helen, em San Bernardino, Malakian foi um aluno da oitava série na Theodore Roosevelt Middle School em Glendale quando tocou na frente de diversas pessoas pela primeira vez executando ‘Wild Thing’ com alguns amigos durante uma reunião.

“Nós fizemos a versão de Sam Kinison”, ele recordou com uma risada. “Alguém tem um vídeo disso – eu estou batendo cabeça de forma enfreada”, ele acrescentou.

Fora do palco, Malakian é pensativo e reservado – “um tipo de cara muito privado”, como ele se descreveu em um pequeno sofá em um estúdio de ensaio de North Hollywood. “Mas quando entro no palco, gosto de atenção.”

“Eu exijo isso.”

O motivo? O System of a Down, que lançou seu álbum mais recente em 2005, não toca com frequência nos dias de hoje – um resultado da incapacidade de Malakian em concordar com o líder da banda, Serj Tankian, em questões criativas.

E isso deixa Malakian, de 43 anos, com energia e inspiração de sobra.

“Me dei muito bem no System of a Down”, diz ele sobre a banda cujo hit de 2001, “Chop Suey!”, tem mais de 800 milhões de visualizações no YouTube. “Mas tudo bem, ganhei algum dinheiro. O que eu vou fazer? Apenas me sentar em casa e não fazer nada?

No ano passado, o Scars on Broadway lançou seu segundo álbum, “Dictator”. Como no disco de estreia da banda de 2008, o atual registro define as melodias vocais de Malakian – com traços da música armênia que ele cresceu ouvindo quando criança – sobre linhas de hardrock precisamente calibradas; as letras tratam de assuntos sombrios como drogas e violência, mas com um olho no sombrio absurdo da etnofarmacologia.

“I’m the isolated, and the motivated, man. I’ve been nominated for the best Armenian tan”, zomba Malakian na faixa perversamente alegre ‘Sickening Wars’.

Se a composição lembra os tempos de System of a Down, Malakian não tem nenhum problema com isso. De fato, as músicas do “Dictator” se encaixariam muito bem no System se ele e Tankian estivessem cara a cara. (Em uma extensa postagem no Facebook no verão passado, Tankian escreveu que trabalhando com Malakian, ele “trouxe músicas transformadas em versões indesejáveis, que foram descartadas”).

“Particularmente, o Scars é apenas uma continuação de onde parei no System of a Down”, disse Malakian.

Na verdade, ele escreveu “Dictator” alguns anos atrás, depois guardou o material caso o System conseguisse se reunir para fazer um disco; quando isso não aconteceu, ele decidiu lançar o projeto como um álbum do Scars on Broadway, com uma capa representando uma figura brutal.

Pintado por Vartan, pai de Malakian, a imagem chama a atenção pela semelhança com Donald Trump – especialmente tendo em conta as letras da faixa que leva o título do disco, onde Malakian repete: “Your politics will never correct me”.

“Não é sobre Trump”, disse ele, apontando que as músicas do álbum são anteriores à eleição do presidente.

Quantos anos tem a arte da capa?
– A arte é mais nova.

Então talvez seu pai estivesse pensando em Trump.
– Talvez. Mas ele também disse que não tem nada a ver.

Obviamente, outras pessoas lhe questionaram sobre isso, que este álbum definitivamente aborde algo ou não sobre Trump.
– Sim, porque as pessoas sempre esperam algum tipo de mensagem política de mim. Mas eu tento não fazer isso de uma forma preconcebida. Eu não sou uma pessoa de extrema-esquerda ou de extrema-direita. Eu me considero centrista. Torço para que Trump faça um bom trabalho; Eu gostaria de ver nosso país em um bom lugar. Eu não sou daquelas pessoas que desprezam totalmente o cara.

Quanta variedade ideológica você vê em seu público?
– Eu acho que são mais pessoas da esquerda.

E como isso te afeta?
– Acho que eles ficariam surpresos se descobrissem que tenho armas.

Malakian diz que tem muito mais músicas de onde vieram as faixas do “Dictator” – provavelmente o suficiente para mais dois álbuns, ele calcula.

E ele gostaria de lançar o próximo mais rápido, o que agora deve facilitar, já que o Scars on Broadway grava para o próprio selo de Malakian, a ‘Scarred for Life’. (Interscope lançou o primeiro álbum da banda.)

“Este é um processo muito do tipo ‘Faça-você-mesmo'”, disse ele, acrescentando que aprecia a liberdade de não dever nada a ninguém.

Perguntado sobre o que ele aprendeu nos tempos de System of a Down, que assinou com uma grande gravadora, Malakian respondeu: “Funciona como uma máquina. Eu aprendi que para ter sua música na rádio, você precisa contratar alguém, o que é triste.”

“Não que eu seja contra alguém que queira investir dinheiro nisso. Não serve só para o Scars.” Sua ambição por essa banda está enraizada no prazer que ele encontra em gravar e se apresentar. Ele não está preocupado em elevar o Scars on Broadway até o nível do System of a Down, mesmo que tenha seu projeto paralelo como prioridade no momento.

“Com o System, nos reunimos e ensaiamos quando há um grande show”, ele diz. “Mas fora disso, não somos realmente a banda em que eu gostaria de estar.”

“Para mim, o Scars é meu projeto – meu único projeto.”

Malakian deve saber que com certeza vai chatear alguns de seus fãs.

“Veja só, se Ozzy Osbourne e o Black Sabbath não tivessem dado um tempo quando se separaram, não teríamos ‘Crazy Train'”, referindo-se ao clássico single de 1980 de Osbourne.

“Coisas boas podem acontecer quando os membros de uma banda fazem seus próprios projetos.”

Comentários (2)

  • Miguel Junior

    É isso aí!
    Não fico nem um pouco triste com a situação. Eu não gostaria de ver o System lançando albuns (ou tocando) forçadamente, isso soa falso!
    Daron está correto, cada um pro seu lado (apesar que eu ainda adoraria ver Daron, Shavo e John em algum projeto)

  • HaDoCk7

    Concordo com ele em algumas coisas, mas que o dictator ficaria incrível com a voz do Tankian, ô se ia…