‘Chop Suey!’ do System Of A Down é eleita a melhor música de metal do século 21

System of a Down

A música de maior sucesso do System Of A Down, ‘Chop Suey!’ alcançou o topo de mais uma lista!

A revista especializada Metal Hammer reuniu jornalistas, músicos e leitores para compilar as canções que mais marcaram o século 21 até agora (2001-2100).

Apesar da forte competição com bandas como Slipknot, Ghost, Trivium e Deftones, o vencedor foi o System Of A Down com a clássica ‘Chop Suey!’.

“Fico orgulhoso de saber que o que fizemos ainda se sustenta e que as pessoas ainda se conectam a isso. Mas é engraçado que essa pequena música com a qual eu tive um discreto momento naquele trailer de turnê tenha se tornado algo sem a qual as pessoas não conseguem imaginar suas vidas. Isso é especial para mim”, diz Daron Malakian sobre a faixa.


A edição de abril da revista traz uma entrevista com o guitarrista, abordando todo o conceito e a atmosfera envolvendo a faixa. Leia abaixo a matéria na íntegra produzida pela Metal Hammer com o Daron Malakian:

Para marcar esta ocasião importante, falamos exclusivamente com o guitarrista do System, Daron Malakian, sobre a música que colocou a banda no topo da lista, desde seu início humilde na parte de trás de um ônibus de turnê até o status como a maior e melhor música de metal do Século 21, via motins, proibições de rádio pós-11 de setembro e teorias de conspiração malucas.

“Na música, isso é uma medalha de honra. Muitas grandes bandas de rock foram censuradas, diz Daron Malakian. “É quase como se você não fizesse parte de um seleto grupo se não fosse banido uma ou duas vezes. Acho que isso tornou a música mais popular. Quando eu escrevi, eu não achava que ‘Chop Suey!’ seria diferente de qualquer uma de nossas outras músicas. Mas foi isso que abriu a porta para nós. Eu estava apenas deitado sozinho em uma cama nos fundos [do ônibus de turnê]. Havia um violão que eu costumava levar comigo. Tinha acabado de começar a tocar aquele violão e foi quando comecei a escrever ‘Chop Suey!’.”

Com um refrão simples de poucas linhas, a versão inicial de ‘Chop Suey!’, escrita por Malakian, era completamente diferente: “Tell me/Tell me what you think about tomorrow/Is there gonna be a pain and sorrow/Tell me what you think about the people/Is there gonna be another sequel?”. Serj Tankian mudou a abertura da música, transformando-a em uma linha estridente e memorável: “Wake up (Wake up)/Grab a brush and put a little make-up”. Daron falou sobre a mudança:

“Eu fiquei tranquilo quanto a isso”, diz o guitarrista sobre a mudança. “Eu não sentei lá e disse, ‘Você tem que cantar minhas letras.”

Muitas das músicas da banda foram extraídas de histórias reais, sombrias e projetadas para serem gritadas, mas não necessariamente compreendidas, como na parte: “Why’d you leave the keys upon the table? Here you go create another fable”. Daron explica:

“É sobre como julgamos as pessoas, mesmo na morte. Se alguém morre em um acidente de carro, as pessoas diriam: ‘Oh, coitadinha’. Mas se ela morresse em um acidente de carro enquanto estivesse bêbada, isso mudaria toda a percepção sobre a forma da morte, e iriam julgar de uma maneira diferente. Por alguma razão, esse pensamento foi estranho para mim. Eu provavelmente estava fumando maconha ou algo assim.”

Intitulada inicialmente de ‘Suicide’, Daron conta como foi a gravação da faixa com o produtor Rick Rubin no Cello Studios, em Hollywood, local onde a banda trabalhou no álbum ‘Toxicity’.

“Era tarde, muito tarde da noite”, diz Daron sobre as sessões. “Eu tinha uns 20 anos e fazia muita experimentação de substâncias. Digamos assim…”

Quando se tratou de escolher o primeiro single, a decisão foi unânime: ‘Chop Suey!’. Eles apenas tinham que fazer algo parecido com o título inicial, ‘Suicide’.

“A canção não se tratava realmente de suicídio. Foi um título preguiçoso.”

Preguiçoso e potencialmente provocador. O que se sabe é que a gravadora influenciou fortemente a banda para mudar o título por medo de que o rádio não chegasse perto da música.

“Não é verdade. Ninguém nos pressionou. Pensávamos, tipo, ‘É nosso primeiro single do álbum, por que queremos dar às rádios um motivo para elas não tocarem [a música]?”

A banda tinha um substituto pronto para o título: ‘Chop Suey!’, uma brincadeira parcial com a palavra ‘suicide’ dividida ao meio – e uma referência aos filmes de gângster que Daron assistiu quando jovem.

“Era algo que eles costumavam falar: ‘Vamos fazer chop suey com ele!’, querendo dizer, ‘Nós vamos matá-lo’. Está relacionado com toda a coisa da morte.”

‘Chop Suey!’ foi lançado no dia 13 de agosto de 2001, três semanas antes do disco ‘Toxicity’. Seu vídeo hipercinético foi gravado no dia 6 de agosto, no estacionamento de um motel localizado no bairro de East Hollywood, na Califórnia.

“Estávamos em turnê quando o vídeo foi lançado. Eu não tinha visto, mas fomos a um shopping e de repente as pessoas nos reconheceram: ‘Podemos tirar uma foto com você?’. Isso nunca tinha acontecido comigo antes.”

‘Chop Suey!’ ajudou o álbum ‘Toxicity’ a vender 200 mil cópias apenas nos primeiros dias. Mas, exatamente uma semana depois do lançamento, dois aviões foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e a música, anteriormente chamada de ‘Suicide’, era arrancada das ondas de rádio.

“Nossos fãs estavam começando a dizer: ‘Ei, esses caras são profetas, eles estão dizendo coisas que ainda não tinham acontecido. ‘Self-righteous suicide’, ‘Aerials in the sky’, ‘Jet Pilot’, pensei: ‘Uau, que legal eles pensam assim. Vamos fazê-los acreditar que realmente fizemos isso.”

As censuras não impediram a ascensão de ‘Chop Suey!’. Apesar do 11 de setembro – ou talvez por causa dele – a música penetrou profundamente na psicótica América.

“Tem um lado muito experimental que não era nada que o rádio tocava na época, mas também um lado muito melódico que realmente pegou as pessoas de surpresa. Há uma coisa naturalmente viciante que sai de mim sempre que escrevo. Não foi apenas com ‘Chop Suey!’. Eu estendi B.Y.O.B., Toxicity, ou qualquer uma das outras músicas do System Of A Down que foram sucessos nas rádio.”

‘Chop Suey!’ impulsionou o ‘Toxicity’ para o topo das paradas americanas, elevando também a banda ao status de atração principal em apresentações e outras atividades.

“Será que nos enquadramos na categoria de nu metal?”, questiona Malakian. “Não acho que soamos como nenhuma dessas bandas. Particularmente, acho que soamos como o System Of A Down.”

Rotular um gênero pode ser aplicável, mas não com o sucesso de Chop Suey!. Os números digitais são indeléveis: um bilhão de visualizações no YouTube e 623 milhões de streams do Spotify. Mais impressionante, seu impacto cultural pode ser medido pela incrível varidade de covers ao longo dos anos: versões de metal, versão clássica, versões com violoncelos, uma versão da comediante Tina Fey no Saturday Night Live e, inevitavelmente, uma versão da pré-adolescente prodígio na bateria Nandi Bushell. Recentemente, em dezembro de 2020, durante o lockdown nos EUA a banda de metalcore August BurnsRed também gravou um cover de ‘Chop Suey!’.

“É uma música como ‘Livin’ On a Prayer’ ou ‘Don’t Stop Believin’, disse o guitarrista JB Brubaker da banda August BurnsRed. “Ela transcendeu gerações, é uma canção que todos reconhecem. Para mim, é uma música que definiu uma era no rock.”


Metal Hammer – Abril, 2021 (edição 346). Clique nas imagens para ampliá-las.

 

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