John Dolmayan: ‘Estamos em processo de gravar um novo álbum’

System of a Down

Por Jorge I. Lagas | Radio Futuro 88.9

Um dos principais protagonistas do festival Santiago Gets Louder é o System of a Down, o grupo chamado para fechar o dia no domingo, 27 de setembro, no antigo aeroporto de Cerrillos. Responsáveis por uma base grande de fãs, efusivos e leais, como demonstrado em sua visita anterior ao Chile, a banda teve uma década de atividade intermitente, mas agora estão retomando o ritmo com tudo e preparando um esperado novo álbum.

Com tudo isso em pauta, a rádio Futuro 88.9 conversou com o baterista do grupo, John Dolmayan, que revelou esse retorno ao Chile e compartilhou parte do presente da banda e os princípios que os movem ao longo da vida.

Olá John, que bom que os teremos de volta. O que significa para você vir para este lado do mundo?

John: Eu sinto que é algo que devíamos há muito tempo, gostaria que pudéssemos ir todos os anos. Eu amo a América do Sul, tivemos um bom tempo lá e posso dizer que já temos bons amigos. Será apenas a segunda vez, tendo em vista que a banda está em atividade desde 1994. Claro que em 1997 assinamos e nós lançamos o primeiro álbum em 1998, porém, a história da banda é de 20 anos, ainda é bastante tempo e nós só estivemos aqui uma vez. É muito louco pensar sobre isso.

De qualquer forma, o que importa é a qualidade e não quantidade. Desta vez será diferente, não será um show próprio, mas sim um festival, com a possibilidade de compartilhar com outros públicos diferentes e pessoas diferentes, vocês gostam disso?

John: Eu amo isso. Festivais são diferentes, talvez a única desvantagem é que quando nós geralmente tocamos em festivais, a maioria das pessoas está exausta, isso às vezes causa um pouco de estranheza, mas por outro lado, existem muitas grandes bandas para ver. Compartilhar os públicos é bastante divertido, pensando que você pode se apresentar para as pessoas que não são necessariamente seus fãs torna as coisas interessantes. É uma ótima maneira de compartilhar o amor pela música e atrair novos seguidores.

Por falar em público, o de vocês é muito especial, os seguidores da sua música levam muito a sério, assim como a sua proposta em geral. Como você vê?

John: A verdade é que temos sido muito afortunados. Em primeiro lugar porque os nossos fãs têm sido muito pacientes. Nós não lançamos um single desde 2006, por isso eles têm nos esperado muito tempo para algo novo. E eles também têm sido nossos aliados mais próximos na propagação das nossas músicas, apresentando para mais pessoas. Uma banda como nós, que não toca muito ao vivo, que não grava muitos discos seguidos, passa pelo caso raro em que cada vez mais possui mais seguidores. Isso só pode ser atribuído ao fato dos fãs terem sido muito leais, mantendo seu amor pela banda e atraindo novas pessoas, pelo boca a boca. Pense em uma banda como os Rolling Stones, eles não tocam para os mesmos que tocavam nos anos 60. Eles tocam para si e para seus filhos e netos. Porque eles transpassaram o gosto. É tudo uma questão geracional.

E o interessante é que não só seguem pela música: há toda uma visão de realidade, das coisas que estão passando pelo mundo, que é compartilhada com seus fãs e que soma muitos pontos na hora de atrair pessoas e ganhar credibilidade. Acredita que é assim ou que estamos falando besteira?

John: É verdade, acredito que de alguma forma nós somos como uma espécie de trovador. Damos informações, temas, coisas que acontecem no mundo no presente. Ao mesmo tempo apontamos as emoções, podemos fazer rir, chorar, tudo isso faz com que os conteúdos possam ser tomados de diferentes lugares, isso é muito interessante. nem todos recebem a mesma mensagem, há muitas interpretações. Tudo isso retoma que o sistema de compartilhar informações seja muito interessante.

Agora, embora cada um tenha a sua interpretação, também existem coisas em comum que são compartilhados por todos, certo?

John: Claro, há coisas que simplesmente são verdadeiras, não importa de onde você é ou o que você acredita. O céu é sempre o céu e os oceanos serão sempre os oceanos. Pessoas, afinal de contas, estão relacionadas, têm opiniões semelhantes, não há como negar isso. Um fã no Chile é o mesmo que um fã na África do Sul, ou também como um fã na Alemanha, ou também um fã em Moscou. Todos estão unidos por uma série de coisas.

Falando de coisas que acontecem no mundo, há alguns meses, vocês tocaram no 100º aniversário do genocídio armênio, um evento muito significativo, vimos a transmissão e foi incrível, como foi para vocês tocar pela primeira vez em sua terra natal?

John: Para nós, essa é a coisa mais importante que nos aconteceu como banda. Quantas oportunidade se tem na vida de poder servir ao seu povo? Nós pudemos fazê-lo. Se tratou disso. Nos colocamos a serviço de nossa terra natal, nossa gente. E também, criar consciência dos genocídios, que não têm lugar hoje em dia. Não é só sobre o genocídio armênio, ou o genocídio judeu, ou algum outro. É sobre prevenir esse tipo de atrocidade que pode ocorrer no futuro.

Foi um dos momentos em que se concretizou de maneira mais forte essa vocação de mensagem que vocês falavam?

John: Sim. Parte de conhecer a história é aprender sobre a história. Como seres humanos, estamos destinados a cometer os mesmos erros uma ou duas vezes, porque as pessoas tendem a esquecer as coisas importantes. Parte de reconhecer o genocídio armênio é também reconhecer quão idiota é, para nós como seres humanos, repetir os mesmos erros. Basta dizer que o genocídio armênio foi o primeiro do século XX, mas não o último.

Voltando para a música, o que todo fã se pergunta: quando finalmente vai ter outro álbum do System of a Down?

John: Estamos em processo de gravar um novo álbum. Não sabemos quando o faremos, não temos uma agenda fixa. Certamente queremos que saia o melhor possível, por isso não queremos nos apressar. Sei que se passaram 10 anos, acredite, eu sei. Mas se não gravarmos o álbum de nossas vidas, é melhor não gravarmos. Estamos nessa.

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