Novo álbum do System of a Down está mais longe, afirma John Dolmayan

John Dolmayan concedeu uma nova entrevista ao jornalista D.X. Ferris, da revista Alternative Press, e falou sobre o seu novo álbum solo com o These Grey Men, sobre o System Of A Down e seus futuros projetos paralelos. Leia a matéria na íntegra:


Estou pessoalmente interessado no seu álbum, porque faço compilações de músicas covers e ainda gosto de fazer umas misturas de faixas antigas.

– Eu costumava fazer muito disso quando criança. Eu ficava sentado com fitas e montava álbuns que definiam diferentes situações.

Quais são alguns de seus covers favoritos de outros artistas?

– Realmente não sei. Eu teria que pensar sobre isso. Bateria constrói ou quebra uma música, em geral.

Por que fazer sua estreia solo em um álbum de covers?

– Principalmente, não escrevo músicas geralmente. Sou muito bom com arranjos. Então, ter um álbum de covers faz sentido porque eu não tenho necessariamente que criar algo novo.

Você gravou 30 ou 40 faixas para o álbum?

– Nós tínhamos uma lista de 30 músicas. Eu gravei cerca de 14 a 17. Eu não tinha certeza de quais músicas funcionariam. Até para o álbum mais bem-sucedido do System Of A Down, o Toxicity, gravamos 44 músicas e reduzimos para as 15 que fizeram o álbum. Para este projeto, no tempo limitado que tivemos que fazer, durante quatro ou cinco anos, conseguimos 14 a 17 músicas que eu considerava boas o suficiente.

Cada uma dessas músicas eu destinei para diferentes cantores. Alguns deles não estavam disponíveis. Alguns não aceitaram. Alguns não responderam nada. Alguns não deram muito certo. Foi por isso que escolhi oito músicas.

Você tem um padrão para diferenciar entre uma boa e outra ruim?

– Minha regra é provavelmente diferente da de outras pessoas. Eu acho que se você faz um cover que soa exatamente como o original, qual é o sentido de fazer isso? Você precisa criar a sua própria música. Parte do objetivo é que as pessoas gostem. Parte do objetivo é que as pessoas ouçam e não saibam que é um cover. Pensar na faixa como algo original.

Alguns de seus covers são semelhantes, mas outros são totalmente diferentes. O cover de Radiohead está bem igual. Como você decide isso?

– Com o Radiohead, eu amo essa música e o vídeo em particular. Pensei: “Como John Bonham tocaria essa música?”

Com todo o respeito a M. Shadows – não estou criticando-o -, mas fiquei agradavelmente surpreso que o cara do Avenged Sevenfold conseguiu cantar Radiohead tão bem.

– É aí que você precisa dar às pessoas a capacidade de serem artistas. Ele é muito talentoso, além de um cara muito legal. Eu gosto de Avenged Sevenfold, mas se você colocá-lo em uma banda diferente, você terá um M. Shadows diferente. Eu acho que ele arrasou fora de seu estilo.

Você me fez ouvir algo em “Road To Nowhere” que eu nunca havia notado antes.

– Era a voz de Serj. A música, como todo o resto, é basicamente um mistura. Você não gosta necessariamente do mesmo tempero que eu. Mas se eu misturar bem, talvez você goste. Talvez você tenha um gosto por isso.

É intimidador se colocar lá e tocar uma música do Bowie?

– Não. Por que eu ficaria intimidado? Se as pessoas não gostarem, tudo bem. Mas haverá pessoas que irão gostar e que não irão gostar, não importa o que você faça. Se eu tivesse essa mentalidade quando lançamos os álbuns do System, eu teria tocado tentando manter as pessoas felizes, em vez de tentar fazer a melhor música possível. Muitas pessoas ouvirão este álbum e dirão: “Isso é uma merda”. A única coisa que posso dizer é: “Não dê ouvidos, se você não gostar. Você já tem o original. Escute isso. E se você não gostar, ouça o que te faz feliz. O objetivo disso é se divertir.”

O cover de Bowie funciona porque você sente o feeling. Outras pessoas poderiam tocar essa música ou fazê-la soar igual. Mas a sua versão aperta os mesmos botões emocionais. E isso é difícil, porque sua versão me fez perceber que as músicas de Bowie geralmente têm mais de uma emoção: elas não são apenas felizes ou tristes. Essa música é melancólica e esperançosa.

– Essa música é triste e melancólica. A música é uma boa maneira de entrar em contato com esses sentimentos, explorá-los e chegar a um acordo com elas. E Serj é tão diferente e reconhecível quando canta que ele faz qualquer música em que participa muito diferente. Ele faz você sorrir. É o que ele faz.

O cover de Eminem é uma brilhante escolha artística. Mas, no cover de Bowie, o coração e a sensação estão no mesmo lugar da faixa original.

– É apenas um solo de bateria.

Certo. Para chegar a essa decisão, estou brincando quando digo o seguinte: Você percebe que, quando está fazendo cover de uma música, é um hábito comum recriar algum aspecto da música original, um gancho, uma melodia ou alguma outra coisa na letra, certo?

– [Risos] Eu vou lhe dar crédito: essa é a pergunta mais engraçada que me fizeram. Você está certo. Talvez consigamos uma versão diferente em algum momento. Eu ainda acho que há espaço para fazer rap — e eu posso não usar as letras de Eminem. Há um cara que encontrei depois que gravamos. Ele é muito talentoso, não tão conhecido. Ainda não quero dar o nome dele. Eu queria o Carlos Santana, ícone do rock, nessa música. Mas sou o baterista de uma banda que não lança um álbum há 15 anos ou mais. Ainda por cima, os bateristas são vistos como o membro sem importância numa banda.

É tão de alto nível fazer cover de uma música sem usar seus elementos principais – exceto para você, com um solo de bateria de nove minutos que soa totalmente diferente. E não tem palavras.

– Eu queria fazer um solo de bateria, e queria que fosse algo bem old school. Por isso, usei muito poucos pratos. Muitas pessoas pediram um solo de bateria ao longo dos anos, e não vejo isso acontecendo em um show do System. Isso aborreceria a platéia, francamente.

Mas o que leva à ideia de interpretar uma música do Eminem com um solo de bateria de nove minutos? Houve um elemento que inspirou o inspirou nesta versão?

– Quando ouvi, pensei: “Há algo sobre a síncope”. Eminem tem uma maneira incrível de sincronizar suas letras. Ele é muito percussivo. Eu pensei: “E se essa música tivesse uma pegada latina? Isso funcionaria.”

Estamos mais perto de um novo álbum do System Of A Down?

– Estamos mais longe. Estávamos chegando perto por um tempo. Shavo Odadjian, Daron Malakian e eu estávamos no estúdio – dois, talvez três anos atrás. Finalizamos algumas músicas, por volta de 12 composições. Elas eram muito boas, mas, devido a problemas internos e divergências, não vejo isso acontecendo.

Esse problema é artístico, logístico ou financeiro?

– Não é artístico. Não é logístico. E não é financeiro. São personalidades. São mentalidades. É o ego.

Você é dono de uma loja de quadrinhos e está trabalhando em um romance gráfico.

– É uma série mensal. Será lançado em abril.

Quem irá publicar?

– Eu mesmo. Tenho a maior ferramenta de marketing possível: sou o baterista do System Of A Down. Temos cem milhões de fãs. Não preciso de uma editora para receber 90% do dinheiro.

Quem está desenhando?

– Eu tenho o Tony Parker fazendo a parte interna. E as capas são artistas diferentes, como Ben Oliver, Jae Lee, Jim Lee, Frank Cho, co-editor da DC Entertainment.

Jim Lee?

– É melhor ele fazer isso. Ele é um dos meus melhores amigos.


O novo álbum do These Grey Men será lançado no dia 28 de fevereiro.

Ouça ‘Street Spirit’, single com participações de M. Shadows, do Avenged Sevenfold, e Tom Morello:

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