Serj Tankian: ‘Temos muito trabalho a fazer. Não vamos parar até obtermos justiça’

System of a Down

Há um mês, éramos presenteados com dois novos lançamentos do System Of A Down, os singles ‘Protect The Land’ e ‘Genocidal Humanoidz’ – após 15 anos de inatividade em estúdio.

As músicas foram gravadas e lançadas por motivos amplamente necessários: conscientização global e auxílio aos afetados no conflito étnico-territorial que perdura há anos e que se intensificou novamente em Nagorno-Karabakh (conhecida também por Artsakh), região povoada em sua maioria por armênios nativos.

Em uma nova entrevista para o Dave Lawrence, da Hawaii Public Radio (via Blabbermouth), o vocalista do System Of A Down falou sobre como as duas faixas surgiram. Tankian disse: “Eu estava em casa, na Nova Zelândia, e já lidando com o ativismo relacionado ao esforço de guerra em termos de conscientização e arrecadação de fundos. E nós, os quatro membros da banda, estávamos em contato sobre ter o System ajudando a disseminar essa informação, algo que nós fizemos. E então o baterista John Dolmayan nos chamou e disse: ‘Escutem, pessoal, eu sei que não estivemos no estúdio lançando músicas em tantos anos. Acho que seria vital fazer algo por nosso povo. O que vocês acham?’, e todos concordamos imediatamente. E aconteceu que Daron tinha uma música que ele havia escrito sobre os soldados que defendem a terra, que defendem suas famílias em Artsakh especificamente. Então ele reproduziu para nós, nos enviou a música, e nós ouvimos. Fez todo o sentido; a letra estava no gatilho. E então comecei a trabalhar em algumas harmonias e outras coisas no meu estúdio na Nova Zelândia e enviei para ele. Daron também tinha outra música que ele havia escrito antes, ele queria que o System fizesse, algo que acabou não acontecendo. No início, eu estava pensando que estávamos fazendo uma música, mas depois se transformou em duas, o que é bom. Mas tudo foi feito em, tipo, três dias no estúdio.”

De acordo com Serj, gravar duas faixas completas em apenas alguns dias “não é o padrão normal” de trabalho. “Em circunstâncias normais, teríamos sentado, iríamos analisar as músicas, tentaríamos partes diferentes, coisas diferentes e tudo mais”, ele disse. “Era mais para agilizar. Algo como: ‘Escute, precisamos divulgar isso na próxima semana. Precisamos fazer isso por nosso pessoal’. E, portanto, nossa guarda não baixou apenas de forma pessoal, porque estávamos fazendo isso por uma causa fora de nós mesmos, mas também não fomos muito críticos. Apenas dissemos: ‘Vamos fazer isso. Vamos fazer o melhor que pudermos’. E acho que sim. Acho que está ressoando por causa disso. Acho que não tem nada a ver com System Of A Down e mais a ver com nossa paixão por justiça e auxílio ao nosso povo.”

Questionado se ele completou suas gravações para as novas músicas do System em Los Angeles ou na Nova Zelândia, Serj disse: “Eu poderia ter feito as gravações vocais na Nova Zelândia, porque tenho um pequeno estúdio, mas eu iria viajar de qualquer maneira para ver a família, estive na Nova Zelândia por cerca de nove meses. Eu estava indo para lá de qualquer jeito, então literalmente foi assim. Entrei no estúdio dois dias depois de aterrissar. Após isso, começamos a trabalhar no programa de divulgação e na tentativa de arrecadar fundos. Apenas queremos manter o ímpeto. E apreciamos como as pessoas fizeram com que as músicas ecoassem e a empolgação em torno delas.”

“É ótimo ver a arte abrindo mentes”, disse Tankian sobre a reação ao novo material do System Of A Down. “E é algo em que sempre acreditei por meio do que fiz durante anos com a música, mas é ótimo ver isso de uma forma não ambígua e de uma forma muito direta, falando sobre os problemas. A banda tem uma mensagem que você pode assistir na web sobre o que essas músicas significam para nós, o que está acontecendo na Armênia e Artsakh e como isso é importante para nós. Então, toda essa consciência é realmente crucial e realmente fez a diferença. E ainda estamos trabalhando, temos muito trabalho a fazer, e não vamos parar até obtermos alguma justiça.”

A entrevista pode ser conferida no player abaixo (em inglês):

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