Shavo Odadjian conta a história por trás da música ‘Chop Suey!’, do System Of A Down

System of a Down

Shavo Odadjian conversou com o portal Loudwire e participou do “Fato ou Ficção”, um quadro onde ele confirma ou nega informações do site Wikipédia.

No papo, o baixista do System Of A Down falou sobre o início de sua carreira na música, o verdadeiro ocorrido sobre a saída do primeiro baterista do SOAD, Andy Khachaturian, a história por trás da faixa ‘Chop Suey!’ e mais. Confira!


Shavo Odadjian, nascido em Yerevan, República Socialista Soviética da Armênia, que era a União Soviética?

Armênia, sim. Era uma república da União Soviética porque fomos derrotados e dominados, mas agora somos nosso próprio país, não existe mais União Soviética.

Você deve ter se mudado não muito antes da queda da União Soviética, certo? Na Wikipédia diz que enquanto estava na faculdade, você começou a administrar o “Soil”, onde Daron Malakian e Serj Tankian eram membros. Diz que você os conheceu em um estúdio de gravação onde estava trabalhando com outra banda na época.

Quase verdade; troque ‘gravação’ por ‘ensaio’. Era um daqueles complexos onde há várias salas – há cerca de 12 salas, eu acho. Eles estavam ensaiando e eu também, então estávamos nos unindo, nos encontrando, saindo quando nossas bandas não estavam tocando.

Qual era a sua banda na época? A banda antes do System?

Fiquei com eles por muito tempo. Tive uma banda chamada “Roswell” – caras muito legais – um camarada chamado Shawn e outro chamado Ron. Ron ainda está por aí, mas eu não vejo Shawn há um tempo. Ele me segue, eu sigo ele, é legal.

Eu encontrei esses caras no Recycler [jornal norte-americano de anúncios classificados para pessoas físicas], esses dois caras eram maneiros e eu gostei do que eles estavam fazendo. Eles realmente me apresentaram para o novo estilo de rock, me mostraram a banda Quicksand e, depois, mergulhei no Tool.

Eu conhecia o Tool, mas eu me aprofundava em Rage Against the Machine e no Tool com eles, eu realmente gostava muito deles. Foi legal.

Diz que em meados de 1997, o baterista do System, Andy Khachaturian, deixou a banda por causa de uma lesão na mão…

Sim, foi estranho quando isso aconteceu porque já estávamos tendo alguns mal-entendidos e outras coisas acontecendo.

E ocorreu que estávamos fazendo muitos shows, estávamos prestes a assinar um contrato, havia um monte de gravadoras chegando, foi aquela época em que Rick Rubin estava vindo para um show. Ficamos sabendo sobre isso e então estávamos nos preparando para aquele show, aquela apresentação do Viper Room quando fomos descobertos, e ele [Andy] ficou bravo com alguém e socou a parede, quebrou todo o braço. Nos disseram que ele não poderia tocar bateria por pelo menos um ano, e nós pensamos tipo: ‘Cara, pelo menos um ano…?’

Estávamos em um estúdio, dividindo uma sala com outra banda, e a banda não tinha vocalista, eles estavam apenas fazendo uma jam, eles não iam a lugar nenhum, o baterista era John Dolmayan. Nós pensamos: ‘Por que John não ocupa esse lugar e vemos aonde vamos com isso?’ Tipo, ‘Não podemos simplesmente parar, temos o monumento rolando, Rick Rubin está vindo para o show.’

Então não havia intenção de ficarmos com John na época, não foi algo, ‘Você está fora, cara’. Mas o que aconteceu foi que, enquanto John tocava, ele tirou oito músicas de uma vez, e o resto é história.

Nós meio que o mantivemos. O braço de Andy, eu não sabia, mas não melhorou por um tempo, foi mais ou menos um ano ou dois, e então ele começou a cantar para uma banda chamada The Apex Theory, e então ajudamos ele um pouco, colocamos eles no Ozzfest. Na verdade, anos depois, eu saí com ele por um tempo e estávamos perto de fazer outro projeto apenas por diversão, mas simplesmente não deu certo.

Nossas vidas foram meio malucas, eu tinha apenas um filho na época, e ele também, então simplesmente aconteceu dessa forma e foi assim – apenas temos que seguir em frente.

Quando vocês chamaram a atenção de Rick Rubin, ele pediu para vocês manterem contato?

Rick? Eu não sei sobre isso. O primeiro show que ele veio foi no Viper Room e nós saímos porque ele queria falar conosco depois da apresentação, ele disse: ‘Sim, eu quero isso’. Antes, os rótulos demoravam a sair por semanas e semanas, meses, o mesmo cara nos encontrava e não iríamos ficar perguntando a ele, ‘Ei, nos dê um acordo’, ia parecer que estávamos com sede – e nós estávamos, mas não queríamos parecer desesperados.

Vimos outras bandas sendo escolhidas, mas aqueles caras nunca se mexiam. Éramos apenas uma banda que estava emperrada, pensávamos, ‘Foda-se, todo mundo está sendo escolhido, todas essas bandas com as quais estamos tocando. Estão assinando pela Geffen, outros caras pela Universal’, ou qualquer uma.

Então ele disse: ‘Sim, cara, não preciso de mais nada, adorei o que acabei de ver’. Depois que ele foi para aquele show, todas as outras gravadoras começaram a fechar negócios conosco, e eu pensava, ‘Cacete, Rick está aqui’. Acho que eles sabiam como ele se movia, ele não brincava. É isso, esse foi o momento.

Sobre ‘Chop Suey!’, na Wikipédia diz que a música foi originalmente intitulada ‘Self-Righteous Suicide’, mas a Columbia Records forçou a banda a mudar de título para evitar polêmica.

Não foi chamada de ‘Self-Righteous Suicide’, foi chamada de ‘Suicide’. É por isso que no começo você ouve ‘We’re rolling suicide’, sempre foi chamada de ‘Suicide’, nunca ‘Chop Suey!’.

Então ‘Chop Suey!’ é ‘Suicide’ dividido ao meio. Tivemos conversas sobre isso, tínhamos que trilhar nossas batalhas, não poderíamos lutar contra tudo.

Fomos espertos sobre isso, fizemos algo legal. Não foi como se tivéssemos nomeado algo que tem uma história por trás, e agora, em 2020, você está me perguntando sobre isso – 19 anos depois.

Cinco anos atrás, vocês fizeram um show gratuito na Armênia, foi o primeiro show que você fez em seu país.

Sim, foi no aniversário de 100 anos do genocídio armênio perpetrado pelo Império Otomano em 1915 contra o povo armênio, onde gregos aos arredores e demais cristãos foram atingidos também. Há muitas igrejas na cidade de Yerevan e, por centenas de vezes, eles tocaram sinos antes de subirmos ao palco. Toda a cidade estava quieta enquanto se ouvia as baladas dos sinos no momento em que caminhávamos em direção ao palco. Fiquei em lágrimas, foi uma loucura, eu não sou uma pessoa muito religiosa, mas aquilo foi intenso. Aquele som ecoando enquanto íamos em direção ao palco e todo o país nos esperando foi uma loucura, uma daquelas experiências que você não têm palavras para descrever.

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