Shavo Odadjian fala sobre equipamentos e diz que novo clipe do SOAD está por vir

Em nova entrevista concedida à revista americana Guitar World, o baixista Shavo Odadjian falou sobre assuntos relacionados à sua banda paralela, a North Kingsley, equipamentos utilizados em estúdio e sobre o System Of A Down.

Odadjian lançou recentemente com a sua banda secundária dois EPs, contendo seis faixas ao todo. O músico, que intercala entre a guitarra e o contrabaixo na North Kingsley, detalhou sobre o seu set:

“Eu estava usando três baixos diferentes – um baixo Idolmaker personalizado pela Warwick para mim, e também dois Streamers personalizados. Todo ano eu recebo deles um novo baixo, com configurações diferentes. Eu amo Warwick e quero dar a eles um grande retorno. Esses caras são incríveis e desde que me associei a eles, meu som e minha performance ficaram muito melhores. Os instrumentos deles se adaptam melhor às minhas mãos e posso tocá-los de forma mais adequada, embora tenha usado Thunderbirds minha vida inteira no System. Em minha opinião, Warwicks são apenas mais confortáveis.

Por causa da maneira como Saro [integrante e produtor da NK] grava, ele desenvolveu alguns sons de amplificador e pedal na plataforma Logic Pro, então fomos direto. Tenho caixas e mais caixas de pedais que colecionei ao longo dos anos. Como hobby, eu entrava em qualquer loja de música e comprava qualquer coisa que ainda não tivesse! Eu não os uso agora, mas será divertido trazê-los para shows ao vivo. Mal posso esperar por isso. Tocar ao vivo com uma guitarra. Nunca fiz isso, porque sempre toquei baixo. Neste meu grupo paralelo, posso fazer as duas coisas!

E guitarras, usei Les Pauls Vintage. Usei duas das minhas 69 Goldtops, uma 72/73 branca e, em seguida, uma 68 preta, que aparece comigo no vídeo de ‘Rifle In Thought’. Eu amo Les Pauls, especialmente aquelas do final dos anos 60 ou início dos anos 70. Eu não tento ou penso com essas guitarras. Eu apenas as seguro em minhas mãos e simplesmente acontece. Eu tenho uma história legal de Les Paul” (Odadjian conta abaixo).


Shavo relembrou sobre a sua inesquecível experiência de ter conhecido em 2009, no Club Macanudo (Nova York), o lendário músico Les Paul, co-criador da famosa guitarra produzida pela Gibson.

“A primeira Les Paul que comprei foi uma 69. Eu queria comprar minha primeira guitarra vintage, talvez cerca de 15 anos atrás. Eu estava em Nova York indo de loja em loja e não consegui encontrar nada – nada vintage e nada legal. Então entrei em um lugar chamado Rudy’s e fui direto para o balcão sem nem olhar. Eu disse a eles que estava procurando uma Les Paul vintage e o cara me disse para virar e… ali estava uma 69 Goldtop. Eu não me importei em quanto custava, apenas queria ela – e estava em um preço razoável.

Eu estava andando pelas ruas de Nova York segurando-a. Um amigo que estava comigo recebeu uma ligação de alguém que trabalhava no programa Howard Stern Show, de Jackie Martling, e recebeu um convite para assistir o Lester Paul tocar neste clube. Ele tinha acabado de sair do hospital e queria fazer um show no dia seguinte. o cara tinha uns 90 anos! Então meu amigo disse a eles que eu estava na cidade e tinha acabado de comprar minha primeira Les Paul, e me disseram para levar o instrumento, na esperança de que ele pudesse assiná-la.

Meu dia mudou muito rápido. Eu vi o Les tocar, aquele cara era incrível, um ser humano mágico e um grande guitarrista. Depois, passei um tempo com ele e o mesmo me perguntou o que eu tinha dentro do case. Foi quando eu tirei. Este foi um momento lendário para mim porque ele criou tudo aquilo. Ele estava tocando com uma Goldtop naquela noite e era exatamente o mesmo estilo da minha Gibson LP 69.

Ele disse que tinha acabado de sair do hospital, foi para o sótão, onde estava sua coleção, e puxou aquela guitarra específica para tocar naquela noite. Sentamos lá e ele me contou toda a história sobre aquele ano e todas as coisas especiais que aconteceram. Tenho fotos e vídeos de nós conversando. Eu estava como um bebezinho naquela noite – foi como se eu tivesse conhecido Deus, foi assim que me senti. Ele autografou a guitarra e personalizou para mim. Eu ainda tenho na minha parede!

Acabei comprando mais desses modelos 69 porque foi um ano especial. Sempre que encontrar uma, vou comprá-la e meus filhos podem ficar com elas quando eu partir! Eu tenho três agora, mas a que ele assinou – que eu nunca poderei tocar no palco porque está autografada por ele – é a definitiva. Cada vez que toco, sei que é melhor do que qualquer outra guitarra. Não digo em relação as minhas outras duas, mas aquela é especial. Fiquei muito triste quando ele faleceu, mas ele teve uma grande vida, cara.”


Mudando a chave para o System Of A Down, Odadjian falou sobre os equipamentos que usou na gravação dos singles ‘Protect The Land’ e ‘Genocidal Humanoidz’, as primeiras músicas lançadas em 15 anos, motivadas pelo conflito étnico-territorial recentemente eclodido entre Artsakh e o Azerbaijão, este último com apoio material da Turquia e responsável pela maior violência que a região sofreu em 26 anos.

“Para essas duas novas faixas, usei meu novo baixo Warwick. É aquele com efeito de vitral, o último instrumento personalizado que eles fizeram para mim. Eles usaram um brilho para a pintura, é tudo feito à mão e, pelo que disseram, demorou 111 horas para finalizá-lo. Eles nunca tinham feito nada parecido antes. Eu queria que parecesse de vidro e falamos sobre um interruptor de luz na parte de trás para que parecesse o sol brilhando.

Eles passaram por uma série de experimentos para criar esse efeito e ficou ótimo, quase como um tipo de escudo. Eu costumava ter um escudo de proteção em meus T-Birds, que usava no palco para refletir a iluminação de volta para a multidão e fazer um feixe de luz saindo do meu instrumento.

Foi algo direto com o baixo e os amplificadores. Havia um Ashdown e não consigo me lembrar do segundo amplificador porque o proprietário do estúdio tinha algo que queria que eu experimentasse, com um tom mais ousado se sobressaindo.

O jeito como tudo aconteceu foi muito rápido. Daron trouxe as músicas e nós simplesmente tivemos que ir em frente. Tive que tirar as músicas, descobrir os sons e fazer tudo em dois dias. Então acabou sendo três ou quatro sons diferentes combinados em um. Eu não usei pedais. Nunca faço isso durante as gravações.”


As novas músicas lançadas em novembro do ano passado foram responsáveis pelo retorno do System Of A Down ao topo das paradas americanas. De acordo com dados divulgados pela Billboard, as faixas estrearam no topo da parada Hot Hard Rock Songs. ‘Protect The Land’, que ficou em primeiro lugar, alcançou a marca de 2.7 milhões de streams e 5 mil downloads. ‘Genocidal Humanoidz’ obteve 1.8 milhões de streams e também 5 mil downloads, ficando em segundo lugar. Shavo falou sobre o sentimento de voltar a gravar com os companheiros de banda após um longo período de 15 anos de inatividade em estúdio.

“Sinto saudades de tocar com esses caras, sinto mesmo. Aqueles dois dias que tocamos foram incríveis. É a sensação de saborear o meu próprio bolo, como dizem. Poderia ter durado mais, eu iria gostar muito. Eu sinto falta desses caras e os amo muito. Quando nos conectamos, há um vínculo inegável – ninguém na banda ou fora da banda pode dizer que não é especial.

Sempre teremos [o vínculo]. Quer dizer, tiramos 15 anos de folga e tudo saiu exatamente da mesma forma que costumava ser. Essa merda não vai embora. Não é apenas a escrita, é a forma de tocar e a energia que juntamos quando estamos na mesma sala.”


Após o lançamento do videoclipe de ‘Protect The Land’, material dirigido pelo baixista e que incorpora imagens recentes dos conflitos em Artsakh e de manifestações ao redor do mundo, de uma forma pessoal e estética, a banda já está se preparando para as filmagens do segundo single, ‘Genocidal Humanoidz’. Odadjian revelou detalhes, ainda que substanciados, mas afirmou que o material chegará brevemente.

“Daron é um maníaco, ele é incrível. Temos muitas maneiras diferentes de escrever. Eu trouxe partes mais arranjadas. Além disso, Serj trouxe coisas como ‘Question!’, ‘Shimmy’, ‘Vicinity Of Obscenity’, entre outras belas canções. E há momentos em que Daron chega com tudo escrito – vocais e tudo – porque ele é cantor e compositor. Como podemos dizer não? Ele está em nossa banda e essa é a beleza do som que desenvolvemos. E é assim que esses dois são.

‘Genocidal Humanoidz’, entretanto, ele escreveu e depois desenvolvemos juntos em sua casa em 2017. Estamos prestes a gravar um videoclipe disso. Eu estou novamente trabalhando na direção. Em ‘Protect The Land’, nós nos associamos com outras pessoas, foi um esforço em equipe – ninguém levou o crédito de direção. Todos nós fizemos isso.

Para ‘Genocidal Humanoidz’, levei algum tempo para desenvolver o conceito. É uma música de dois minutos e meio, mas há muito que posso explicar porque há muito sendo dito. Tive a ideia com meu parceiro de direção, Adam Mason, que fez o vídeo de ‘Die For The Pic’, da North Kinsgley. Que possamos fazer tudo da melhor forma, assim que eu espero. Não quero prometer nada e não posso dizer quando ou como, mas está chegando!”

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