Por dentro da mente de Serj Tankian, o vocalista do System of a Down

VIAGEM
Viajar ensina muito sobre a diversidade do mundo. Quando os músicos falam sobre política, muitas vezes nos importamos com isso – e eu entendo -, mas viajamos, o que nos dá uma visão de outras culturas. Ainda tenho muitos lugares a visitar: China, Sudeste da China, América do Sul. Espero que eu possa ir além dos lugares que visitei com o System. Conhecer um lugar como Moscou seria ótimo.

FAMÍLIA
Ser armênio é como ser italiano, a família é tudo. É de onde você vem e sem saber de onde você veio, nunca vai saber para onde diabos está indo. Quando volto para casa, faço questão de visitar meus pais todos os domingos, no mínimo. Os laços entre os membros da família são os que precisamos construir entre si, a fim de tornar este mundo um lugar melhor.


Eu li muito sobre a vida indígena dos nativos americanos, aborígines e maoris, culturas que se estendem para além da civilização moderna. Eu respeito as religiões modernas como cristianismo, budismo, hinduísmo, islamismo e judaísmo, mas todas foram criadas depois que a civilização se formou, para que não definam todo o escopo da crença na vida. Estou muito convencido de que tudo é um todo ao invés de concepções de bem e mal.

POESIA
Costumo escrever poesia quando estou com tempo livre ou de férias. Anos atrás, eu tive um sonho de ficar seis meses em Paris e escrever um romance. Mas desde que a música se tornou uma profissão em vez de um hobby, a política externa se tornou um hobby para mim. Eu leio diariamente, e me pergunto se talvez eu pudesse escrever algo que define politicamente a sociedade na virada do século. A poesia é uma forma muito mais livre do que a música, muito mais íntima e pessoal.

DROGAS
Eu experimentei drogas em várias maneiras ao longo do tempo e apreciei a contribuição artística que elas trazem, da maneira como elas abrem certas portas. Atualmente, não tomo nenhum remédio de forma contínua, exceto café e vinho. Eu fumo maconha de vez em quando, mas o perigo disso é que eu só quero criar música. Digo “perigo” porque, quando fumo maconha, não consigo me comunicar ou funcionar bem – tudo o que quero fazer é criar mais músicas. Mas, é legal se é isso que você quer fazer naquela noite! É uma boa ferramenta relaxante.

DINHEIRO
O dinheiro é um conceito interessante, outro produto da ‘civilização’. Ao invés de trocarmos, digamos, vacas por milho, agora todos nós usamos um papel. Mas o dinheiro é tão bom quanto o governo por trás dele. Anos atrás, o dinheiro tinha um valor baseado em matérias-primas, mas esse não é mais o caso nos dias atuais. O que é “valor” afinal? Por que o ouro ou os diamantes são tão caros? Deixe-me colocar desta maneira: em algum momento, o dinheiro pode se tornar inútil, enquanto o papel higiênico pode se tornar mais valioso. Vou citar a letra da música ‘Money’, do meu disco Elect The Dead: “As causas da imbecilidade podem ser traçadas pela queda da minha obrigação, as causas da minha servidão podem ser traçadas pela tirania do dinheiro.”

SYSTEM OF A DOWN
Tivemos doze anos fantásticos juntos. Fizemos algumas músicas muito interessantes ao longo dos cinco álbuns e propagamos muitas mensagens interessantes, seja falando sobre política ou discursando. Foi uma experiência de aprendizado e me sinto extremamente abençoado pelo privilégio de fazer músicas diariamente. Trabalhar com eles foi um prazer. Quero dizer, esses caras são meus amigos, meus irmãos. A porta está aberta para que possamos trabalhar juntos novamente algum dia.

O FUTURO
Estou ciente de que nem o futuro e nem o passado realmente existem. Tudo o que existe é o presente – o presente eterno. O futuro existe apenas em termos de visibilidade para atingir objetivos pessoais. Todos temos um papel dentro desse drama humano, e uma vez que percebemos, temos uma chance de buscarmos a felicidade pessoal. Isso só pode realmente ser alcançado através do presente. Acho que o truque é ser ágil e flexível para qualquer coisa que seja lançada em você. Portanto, não me preocupo muito com o futuro.

Entrevista realizada em 2007 pelo escritor e jornalista Ben Myers.

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