Serj Tankian fala sobre a recusa de Daron Malakian em participar de seu documentário

Serj Tankian (solo)

Muitos fãs que assistiram ‘Truth to Power’, documentário que fala sobre o ativismo e a vida musical de Serj Tankian, notaram a ausência de Daron Malakian no material.

Com declarações de amigos próximos, incluindo a do baixista Shavo Odadjian e do baterista John Dolmayan, o filme proporciona aos fãs uma visão aprofundada sobre a carreira de Tankian dos tempos como tecladista de sua primeira banda, chamada ‘Forever Young’, passando pelo estouro mundial com o System Of A Down até os dias atuais em seus trabalhos paralelos.

Em nova entrevista ao portal The Daily Beast, Serj explicou sobre a ausência do guitarrista em ‘Truth to Power’, falou sobre diferenças criativas na banda, seu novo EP ‘Elasticity’ e mais! Leia:


O que está impedindo o System de se reconstruir totalmente? Daron, visivelmente, é o único membro da banda que não apareceu em ‘Truth to Power’.

Serj: Obviamente, nós perguntamos a ele, e não era algo que ele queria fazer. Ele recusou respeitosamente e eu o respeito por isso. Isso é bom.

É apenas sobre não ter mais um entendimento criativo olho no olho?

Serj: Esse é o ponto da questão. Não há mais, realmente. Mas, daqui para frente, existe também uma filosofia. Você pode pensar que é melhor seguir este caminho, e outra pessoa pode pensar que é melhor seguir por aquele caminho. A criatividade também tem a ver com essa filosofia daqui para frente. É uma questão de visão. Se você não concorda com a criatividade e o ponto de vista, então você não faz músicas juntos. Mas estou feliz em dizer que somos todos amigos, nos respeitamos, nos amamos. Meu cunhado [John Dolmayan] é meu baterista e estamos na casa um do outro todos os dias. Os filhos de Shavo brincam com meus filhos. Somos uma família; nós nos conhecemos há muito tempo. Essa é a razão pela qual ainda fazemos turnês juntos e não temos nenhum problema em fazer isso. E isso, para mim, é o mais importante, contanto que mantenhamos isso. Se novas músicas acontecerem, será ótimo. Se não, o mais importante é nossa amizade duradoura.

Seu baterista John proclamou repetidamente apoio a Donald Trump e suas mentiras na eleição. Você está surpreso com a postura dele, que certamente parece divergente da posição da banda e da sua? E isso prejudicou seu relacionamento criativo ou pessoal?

Bem, além dessas duas músicas, nós realmente não criamos muito juntos, então eu realmente não posso responder sobre a questão criativa – se a diversidade de nossas posições políticas nos EUA afetaria nossa criatividade. Em um nível pessoal, nos amamos e nos respeitamos; nós somos uma família. Mas sim, às vezes é difícil, especialmente quando a mídia exibe mais do que deveria. E isso acontece, porque é algo que rende, eu acho. Mas sim, com o restante da banda, todos têm suas opiniões — John tem sua opinião, eu tenho minha opinião, você tem sua opinião, e os fãs que podem achar que o caráter da banda não é congruente com suas crenças também têm opiniões. E tudo bem também. O importante é que fomos capazes de lutar pela Armênia e pela justiça. Para mim, isso é o mais importante, não nossas diferenças de opinião sobre os candidatos presidenciais nos EUA. Olha, vou terminar assim: não conheço uma única pessoa que não tenha um cunhado cujo as visões políticas são muito diferentes [risos]. Já acertei tantas vezes – isso é como uma verdade universal neste ponto!

Seu novo EP, ‘Elasticity’, apresenta materiais que você planejou para o System, mas nunca encontrou uma maneira de trabalhar em conjunto. Você sentiu que essas músicas não podiam mais ser postas de lado?

Serj: Guardei estas músicas por um tempo; elas foram escritas há cinco ou seis anos e eu as terminei no início do ano passado, ou talvez no final do ano retrasado. Eu queria lançá-las e, como não entramos em acordo com o System há alguns anos, decidi terminá-las como havia imaginado, porque realmente acho que são ótimas músicas e amigos me incentivaram, “Ei, você deveria liberar isso.” Então, eu decidi fazer isso e trabalhei com Dan Monti, que é meu guitarrista no F.C.C. (Flying Cunts of Chaos), e ele gravou algumas das linhas de guitarras, ou adicionou algumas delas. Ele também fez algumas programações de bateria, e eu também. Então nós mixamos juntos, e Vlado Meller – que já trabalhou com muitas das minhas coisas antes – masterizou. Então, foi feito tudo em casa [risos].


Dirigido por Garin Hovannisian, ‘Truth to Power’ foi lançado mundialmente na última sexta-feira (19) e está disponível para aluguel virtual pelo preço de 12 dólares (aproximadamente 64 reais). Clique aqui para assistir.

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